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Celso Furtado, 100 anos: pensamento e ação — por Renata Reis

Em comemoração ao centenário de nascimento de Celso Furtado, livro reúne 9 autores e resgata os principais elementos da biografia, do pensamento e das atividades do grande economista

A solução está em retroceder o olhar. Frente a tamanha crise sanitária, econômica e política, quando soluções supostamente inovadoras são apresentadas como tábuas de salvação, o presidente do Conselho Federal de Economia, Antonio Corrêa de Lacerda, ressalta a importância do livro “Celso Furtado, 100 anos: pensamento e ação”, publicado recentemente, do qual é organizador e coautor.

O livro sugere um olhar para o passado e para as obras publicadas por Furtado ao longo de sua atividade de Economista, numa tentativa de entendimento do subdesenvolvimento brasileiro, e a partir desse entendimento da implementação de soluções para nossas acentuadas vulnerabilidades. A obra certamente merece a atenção dos que estão em busca de uma saída justa, igualitária, sustentável, e quiçá definitiva, para os problemas que vivenciamos há algum tempo no país e que hoje são ainda mais visíveis. O livro teve origem nas atividades desenvolvidas no Programa de Estudos Pós graduados em Economia Política da PUC/SP, Universidade em que Celso Furtado ministrou, em 1975, o curso “Economia do Desenvolvimento”, adaptado de um curso apresentado por ele na Sorbonne.

O Livro

Apresentado em seis capítulos, o livro traz inicialmente uma análise do pensamento de Celso Furtado a partir de seis o bras publicadas entre 1959 e 1974. Para os autores, “o conjunto bibliográfico analisado possui uma constância: a procura do entendimento do subdesenvolvimento brasileiro”. E ainda levanta a relação entre esse subdesenvolvimento e a dependência estrangeira nos ciclos econômicos.

No segundo capítulo, são abordados, por Rosa Maria Viera, a planificação, o Estado e as elites no pensamento de Celso Furtado, a partir da busca, nas obras do economista, de nuances do papel do Estado e do planejamento para a superação do subdesenvolvimento. O terceiro capítulo, de autoria de Lacerda e de Julio Manoel Pires, versa sobre os dilemas enfrentados pela economia brasileira no período de 2010 a 2018 com base nos escritos de Furtado e uma reflexão crítica sobre as escolhas das políticas econômicas no período.

A discussão sobre o modelo de desenvolvimento do Brasil ganha maior importância num momento em que a economia vive um processo de desindustrialização e reprimarização do setor produtivo, questões que são abordadas no quarto capítulo, contribuição de Rubens Sawaya. No capítulo seguinte, André Paiva Ramos, Francyelle do Nascimento Santos, David Deccache e Lacerda buscam o pensamento e o método com que Furtado concebia a análise econômica. “No lugar do debate sobre a construção e o aperfeiçoamento de um projeto nacional visando o planejamento social de longo prazo, está colocada uma perspectiva centrada, única e exclusivamente, na eliminação dos obstáculos ao livre funcionamento do mercado”, expressam os autores.

Finalmente, no último capítulo, Lacerda aborda os desafios da economia brasileira no século 21. “A aposta em que a prometida austeridade levaria ao resgate da confiança que pudesse estimular a realização de investimentos e produção não tem dado result ado”, questiona. “O Brasil […] tem todas as pré condições para superar a atual estagnação e atingir um grau de desenvolvimento expressivo. Somos o único país do G 20 a combinar potencial nos macrossetores e de enorme demanda reprimida, em termos de inves timentos, infraestruturas e políticas sociais”.

Sobre o Organizador

Antonio Corrêa de Lacerda é presidente do Cofecon desde 2020, cargo para o qual foi reeleito em 2021. Foi presidente da autarquia em 1999, sendo vice presidente em 2019. É doutor pelo Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), professor doutor e diretor da Faculdade de Economia, Administração, Ciências Contábeis e Atuariais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC SP). Lacerda foi economista chefe e diretor de economia de empresas e organizações, e atua como consultor econômico. É articulista assíduo de publicações, comentarista do Jornal da Cultura (TV Cultura) e autor de cerca de 20 livros na sua área de atuação, tendo sido um dos ganhadores do Prêmio Jabuti, na área de economia, no ano 2001, pelo seu livro “Desnacionalização”.

Resenha de Renata Reis, publicada na Revista do Conselho Federal de Economia (COFECON). Edição nº40 – Abril/Junho de 2021.

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